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Crônica do eu

14.6.08

Por: Patricia | 2 Comentários | Categorias: A-dia | Tags: , , ,

Há tempos tenho em meu criado mudo uma gaveta, ao abri-la você vai ver todo tipo de papel, papel com telefone e endereços, papel de bala, sacola de papel, papel de cinema e teatro, papel com foto. Papel, papel e papel.

Para você essa gaveta pode conter apenas papel, mas para mim não.

Me recusei a abrir e arrumar o que continha nessa tal gaveta. Me recusei por ser uma fraca e covarde diante de tantas lembranças. O que poderia esse monte de papel fazer comigo?

Mas hoje - véspera do dia 15 - com minha mente, coração, corpo e tudo o que faz parte do EU em mim, resolvi abrir e ver todos os papéis-lembrança.

Eu leonina, e o que tem em cima do Criado-Mudo.

Primeiro foram os papéis mais recentes, os cartões postais que peguei no banheiro da ultima vez que fui no HSBC Belas Artes. Colado a eles veio o cartão de uma loja de berços que peguei assim que soube do meu mais novo cargo, o de Tia. Também tirei o cartão da pizzaria do Braz, as fotos conceito do semestre passado, o ingresso da jazz sinfônica no teatro municipal, e lá estava ela, a Agenda dos Papéis.

Ela, é dona de todas as memórias que estão impregnadas em cada ingresso, flyer, anotação ou flor de guardanapo.

Assim como a gaveta, a Agenda não é uma agenda comum, te digo que para abri-la o corpo pede mais coragem do que para abrir a gaveta. Hoje deixei ela de canto, não por falta de coragem mas, por minha prioridade serem os papeis da gaveta e não as memórias do que um dia foi a gaveta.

Ao voltar para o meu foco, encontrei um post it grudado em um envelope da ticketmaster – a ticketmaster prefere visa – com as seguintes palavras “ingressos: filmes, shows e teatros” neste envelope têm as minhas maiores emoções compradas: o ingresso do 1º Show, os ingressos de início e termino de namoro, também o ingresso da traição e todos aqueles ingressos - já amarelos por causa da idade - que foram de passeios em companhia dos grandes amigos. Também deixei esses de lado e voltei a gaveta das memórias.

Dela, desta vez não saíram papéis – o que se via á primeira vista – saíram inúmeras fitas de um dia em que descobri como é boa a recíproca de um amor, guias de exames que eram para serem feitos á mais de 8 meses, um livro – também de páginas amarelas por causa da idade – com o título de “as brumas de avalon”, saíram também caixas de pomadas e remédios, de Altoids, aparelho e caixa de um mini-massarico – Ah! A mentira! - encontrei também o crachá do meu antigo trabalho, grampos, fotos 3×4 – minhas e de amigos queridos -, Ketchup do MC, ursinhos de pelúcia que um dia “habitaram” minha mochila e flores de canudinho.

A Agenda, as fitas e mais alguns de meus preciosos pertences.

E lá estava A Gaveta, vazia e pelada, e eu a olhar o que tinha um certo medo. Ri! Ri de mim, mas principalmente da gaveta.

Olhei a minha volta e todos os “papéis memórias” estavam não mais na gaveta, mas a minha volta. Peguei todos os papéis do HSBC, os com anotações e joguei no lixo junto com os ketchups e a tabela de menstruação do ano passado. Então fui colocando o restante de algumas memórias - como as fitas, os ingressos e as fotos – de volta na gaveta, e por ultimo guardei a agenda.

Hoje muitas lembranças e a necessidade de nostalgia me fizeram maior, pude ver – novamente – a menina-moça-mulher que estou me tornando. A sensação é esquisista, mas é uma boa sensação.

Ah, e se você estiver se perguntando e a Agenda? Bom, a Agenda fica para outro dia, assim como as algumas lembranças em formato de papel que coloquei na gaveta de baixo, para na proxima faxina ver, rir e lembrar do que era hoje.