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A impiedosa… 0 Comentários


Agripina MinorAgripina não é a mulher mais conhecida do império romano; em termos de popularidade ela fica muito a quem de Messalina. Mas Messalina era conhecida por ser uma mulher “promiscua”. Agripina, ao contrario, era uma estrategista política, fora isso, era uma mulher fria, calculista, e sem escrúpulos. (E muito bela também, é descrita como uma mulher de corpo e rosto bem modelados, e seios fartos) Capaz de tudo para conseguir seus objetivos.

Agripina está diretamente ligada a quatro imperadores romanos…
Após a morte de Augusto, Tibério se tornou imperador, Agripina era sua afilhada, mesmo assim foi obrigada a exilar-se do império, pois sua mãe, Vipsânia, foi uma das personalidades perseguidas por Tibério, já que ele, a considerava uma “ameaça” a seu status. Tibério faleceu no ano 37 da era cristã, com sua morte o irmão de Agripina, Caio Calígula, assumiu o império. Com isso Agripina pode retornar do exílio, entretanto, pouco tempo depois de seu retorno, Agripina teve de fugir novamente, devido às obsessões psicóticas de seu irmão. Com o assassinato de Calígula o tio de Agripina, Cláudio, foi escolhido como novo imperador! Cláudio era casado com Messalina.

Quando Messalina foi executada – por desvios sexuais –, Agripina já tinha um filho, Nero, mas era solteira. Nos meses anteriores, quando Messalina ainda estava viva, mas envolvida ate o pescoço em escândalos sexuais que abalaram o império, Agripina trabalhava nos bastidores para que Messalina fosse condenada a morte. Já que ela via nisso a grande oportunidade para poder seduzir seu tio.

Pouco tempo depois da morte de Messalina, no começo do ano 49 da era cristã, Agripina, sem muitas dificuldades, seduziu Cláudio, e se casou com ele. Tornando-se assim, imperatriz do Império Romano. Cláudio, que era incapaz de se opor às atitudes firmes de sua mulher, não passava de uma mera figura decorativa do império, quem de fato governava Roma, era Agripina!

“Quem manda nessa porra sou eu”.

Quem dava as ordens, elaborava os projetos, decidia quem vivia e quem morria era ela. Agripina governava com mão de ferro! Em situações publicas, comportava-se com austeridade e arrogância. Sua voracidade por dinheiro não tinha limites. Não perdia uma chance para aumentar seu prestigio, e mostrar ao povo romano quem de fato mandava no Império.

Contudo o grande objetivo de Agripina ao se casar com Cláudio não era apenas tornar-se imperatriz. Seu objetivo oculto era fazer de seu filho Nero, imperador. Foi justamente após seu casamento com Cláudio que ela iniciou uma trama suja, de conspiração, intriga e assassinato.
Um ano depois de casados, Agripina “fez a cabeça” do imperador para que ele adota-se Nero como seu filho. O que o velho Cláudio fez, sem saber, que ao fazer isto, assinava sua sentença de morte. Agripina então resolveu antecipar a “partida” de Cláudio. Aliou-se a um grupo de homens poderosos que faziam parte do alto circulo de conselheiros do imperador. Subornou o “degustador” de Cláudio, garantindo a este que seria um dos privilegiados com a nova ordem que se instauraria com a morte do imperador.

O degustador era uma figura comum naquele tempo, era um criado especial que experimentava cada alimento que viria a ser ingerido pelo imperador, para que fosse certificado que os alimentos não continham nenhum tipo de veneno.
Sem Cláudio perceber, o degustador pingou algumas gotas de veneno em um dos alimentos. Rapidamente, em uma virada de cabeça de Cláudio, o degustador passou o alimento para seu prato, como se já tivesse provado. Ao comer o alimento, a morte foi praticamente súbita, o que espantou todos a mesa. Principalmente Britânico, o filho legitimo de Cláudio, com Messalina.

Apesar de Nero ter sido adotado como seu filho, poucos acreditavam que em seu testamento Cláudio nomearia Nero como imperador. A hipótese mais lógica era sua preferência por Britânico. No dia seguinte a morte de Cláudio, Agripina garantiu o apoio da guarda pretoriana a nomeação de Nero, oferecendo cento e oitenta milhões de “sestércios” – moeda romana –, o que de fato era muito dinheiro, mesmo para uma imperatriz. O próximo passo foi sumir com o testamento de Cláudio; em seguida negociou friamente com o Senado as condições para a subida de Nero ao poder, assegurando que, uma vez Nero imperador, ele revogaria todas as leis que haviam retirado direitos e privilégios dos senadores. Diante disso o Senado concordou. Poucas horas depois, Nero foi saldado como o novo imperador de Roma!

Ave César…

Agripina alcançará seu objetivo!

Tanto os senadores, como á guarda pretoriana sabiam que não seria Nero o governante do império, mas continuaria a ser Agripina. Já que Nero tinha apenas 17 anos de idade, e não detinha nenhuma experiência política.

A relação de Agripina e Nero sempre foi diferente, alias, muito diferente do “normal”. Os dois praticavam incesto; foi a própria Agripina quem “iniciou” Nero na vida sexual, quando ele tinha 14 anos. Além disso, Nero sempre foi muito obediente a Agripina. Ela exercia o poder com tanto apresso que esqueceu-se – ou não quis ver -, que Nero havia crescido, se tornado um homem de pensamentos e desejos próprios. Quanto mais Agripina procurava prendê-lo, mais aumentava sua resistência, e mais ódio ele passava a ter por ela. Em contrapartida Agripina desenvolveu um ciúmes incontrolável sob o filho, não suportava que ele mantivesse relações sexuais com outras mulheres, ou homens. E foi justamente por esse motivo que de “parceiros”, mãe e filho, se tornaram inimigos! Na Roma antiga, ter um inimigo significava: ou ele, ou eu. Um dos dois tinha que morrer!

O motivo dos desentendimentos entre os dois se deu por uma mulher, Acte, era uma das criadas do palácio imperial. Repentinamente Nero passou a ter um romance secreto com Acte. Presenteava a criada com jóias, escravos, e casas luxuosas nos arredores de Roma. Bêbado de amor prometeu a Acte que faria dela sua esposa. Uma imperatriz!

Decorrido algum tempo, Nero não suportava mais ter que se encontrar com Acte as escondidas, por isso resolveu informar Agripina de seus planos. Ao receber aquela noticia, ela teve um ataque de nervos, que se seguiu por uma cena de ciúmes digna de novela mexicana!

Moedas Agripina Minor
“Jamais, em tempo algum, admitirei que uma criada seja minha rival e minha futura nora”

Após esse fato os dois não se falavam mais; a convivência entre Nero e Agripina se tornou insuportável. Ela, revoltada com a rejeição de Nero passou a provoca-lo, dizendo que ele estava ocupando indevidamente o lugar do verdadeiro imperador, pois como filho legitimo de Cláudio, Britânico tinha mais direitos do que ele. Temendo que Britânico recebe-se o apoio de Agripina, Nero resolveu mata-lo. Ofereceu um jantar no palácio imperial, e no momento da refeição, com todos os convidados a mesa, ordenou que trouxessem um frasquinho com veneno. Imaginando que Britânico não comeria, ele próprio, disfarçadamente, derramou o veneno na taça que Britânico beberia. Ao tomar o primeiro gole, o irmão adotivo caiu ao solo.

Agripina que participava do jantar ficou aterrorizada, no seu intimo, ela sabia que seria a próxima!

Mesmo com a morte de Britânico, Nero permaneceu desesperado. Passadas algumas semanas, ele expulsou a mãe do palácio imperial, e tomou medidas para tornar a vida dela cada vez mais difícil. Retirou seus privilégios, demitiu membros do governo que eram aliados, ou diretamente influenciados por ela. Há destituiu de todos os títulos que possuía, reduzindo-a a uma cidadã comum. De sua parte, Agripina tentou manter seu poder, e prestigio pessoal. Recebendo a visita de Senadores, e militares, e paparicando a aristocracia romana.
Isso só serviu para fazer o ódio e o medo de Nero crescer. Por conhecer Agripina melhor do que ninguém ele sabia que ela faria o impossível para elimina-lo. Que sua vingança não se faria esperar. E acreditava piamente que ela armaria escravos, encorajaria os soldados romanos a se rebelarem, apelaria ao Senado e ate mesmo ao povo para derruba-lo.

“Minha mãe tem de morrer”

Logo surgiu um boato de que Agripina estaria organizando um golpe para derrubar Nero. O boato chegou ao ouvido do imperador, que apavorado ordenou que o chefe da guarda pretoriana, Afrânio Burro, fosse pessoalmente atrás de Agripina para averiguar aquela questão.

“Só quem nunca teve um filho ignora os sentimentos de uma mãe. Uma mãe não muda de filhos como uma mulher depravada muda de amantes. Duvido que provem que provoquei a insurreição das cortes municipais, que tenho feito vacilar a fidelidade das províncias ou que corrompi escravos ou libertos do imperador para leva-los a pratica de crimes. Por acaso eu estaria viva, se Britânico tivesse assumido o poder? E se qualquer outro assumisse o governo e me submetesse a justiça, será que iriam faltar denunciantes para me recriminar, não com palavras cautelosas, mas por ter cometido verdadeiros crimes, crimes dos quais só meu filho pode me absolver?” – Agripina.

Para Nero, a morte de Agripina já estava decidida. O problema era como se livrar dela. Nos meses seguintes ele colocou em pratica uma serie de tentativas para mata-la.

Porém só fracassavam! A cada tentativa frustrada, Nero ficava mais e mais impaciente. Já que temia que a qualquer momento poderia ser vitima de uma dos “possíveis” assassinos enviados por sua mãe. Com a paciência esgotada, Nero enviou Aniceto, um assassino de sua confiança para “passar” Agripina…

Aniceto, ao adentrar na casa de Agripina deu de cara com a própria; ao ver Aniceto, ela sabia muito bem para que ele estava ali, mas mesmo assim, não perdeu seu orgulho, e seu excepcional autodomínio, muito tranqüila ela olhou Aniceto e disse: “Se vieste trazer algum recado de seu senhor, pode se retirar, pois não desejo ouvir”. Ao dizer isto, Aniceto golpeou a cabeça de Agripina com um pedaço de madeira; a pancada foi tão forte que ela rolou sobre a cama e caiu no chão, porém não desmaiou, imediatamente se levantou, com a boca escorrendo um filete de sangue, ficou novamente de pé, de frente para Aniceto, ergueu a fina camisola que vestia, ficando nua diante dele, e disse: “Golpeia-me aqui, no ventre, pois foi aqui que carreguei tal monstruoso filho”.

Foi o fim de uma das mulheres mais espertas, enigmáticas e inteligentes da historia. Pode-se falar muito de suas ações, mas é impossível negar a importância dessa mulher, que com sua habilidade, frieza e perspicácia, alterou significativamente os rumos do maior império que a civilização humana já conheceu!

Texto escrito por Vagner Leme, estudante de Direito do Mackenzie. Hoy prestigia o’Ventilador falando de mulheres no poder. O texto está sendo dividido em partes para um maior conforto do leitor . Para ler os outros textos basta clickar aqui.

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por Vagner Leme

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