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Crônica do eu 5 Comentários


Há tempos tenho em meu criado mudo uma gaveta, ao abri-la você vai ver todo tipo de papel, papel com telefone e endereços, papel de bala, sacola de papel, papel de cinema e teatro, papel com foto. Papel, papel e papel.

Para você essa gaveta pode conter apenas papel, mas para mim não.

Me recusei a abrir e arrumar o que continha nessa tal gaveta. Me recusei por ser uma fraca e covarde diante de tantas lembranças. O que poderia esse monte de papel fazer comigo?

Mas hoje – véspera do dia 15 – com minha mente, coração, corpo e tudo o que faz parte do EU em mim, resolvi abrir e ver todos os papéis-lembrança.

Eu leonina, e o que tem em cima do Criado-Mudo.

Primeiro foram os papéis mais recentes, os cartões postais que peguei no banheiro da ultima vez que fui no HSBC Belas Artes. Colado a eles veio o cartão de uma loja de berços que peguei assim que soube do meu mais novo cargo, o de Tia. Também tirei o cartão da pizzaria do Braz, as fotos conceito do semestre passado, o ingresso da jazz sinfônica no teatro municipal, e lá estava ela, a Agenda dos Papéis.

Ela, é dona de todas as memórias que estão impregnadas em cada ingresso, flyer, anotação ou flor de guardanapo.

Assim como a gaveta, a Agenda não é uma agenda comum, te digo que para abri-la o corpo pede mais coragem do que para abrir a gaveta. Hoje deixei ela de canto, não por falta de coragem mas, por minha prioridade serem os papeis da gaveta e não as memórias do que um dia foi a gaveta.

Ao voltar para o meu foco, encontrei um post it grudado em um envelope da ticketmaster – a ticketmaster prefere visa – com as seguintes palavras “ingressos: filmes, shows e teatros” neste envelope têm as minhas maiores emoções compradas: o ingresso do 1º Show, os ingressos de início e termino de namoro, também o ingresso da traição e todos aqueles ingressos – já amarelos por causa da idade – que foram de passeios em companhia dos grandes amigos. Também deixei esses de lado e voltei a gaveta das memórias.

Dela, desta vez não saíram papéis – o que se via á primeira vista – saíram inúmeras fitas de um dia em que descobri como é boa a recíproca de um amor, guias de exames que eram para serem feitos á mais de 8 meses, um livro – também de páginas amarelas por causa da idade – com o título de “as brumas de avalon”, saíram também caixas de pomadas e remédios, de Altoids, aparelho e caixa de um mini-massarico – Ah! A mentira! – encontrei também o crachá do meu antigo trabalho, grampos, fotos 3×4 – minhas e de amigos queridos -, Ketchup do MC, ursinhos de pelúcia que um dia “habitaram” minha mochila e flores de canudinho.

A Agenda, as fitas e mais alguns de meus preciosos pertences.

E lá estava A Gaveta, vazia e pelada, e eu a olhar o que tinha um certo medo. Ri! Ri de mim, mas principalmente da gaveta.

Olhei a minha volta e todos os “papéis memórias” estavam não mais na gaveta, mas a minha volta. Peguei todos os papéis do HSBC, os com anotações e joguei no lixo junto com os ketchups e a tabela de menstruação do ano passado. Então fui colocando o restante de algumas memórias – como as fitas, os ingressos e as fotos – de volta na gaveta, e por ultimo guardei a agenda.

Hoje muitas lembranças e a necessidade de nostalgia me fizeram maior, pude ver – novamente – a menina-moça-mulher que estou me tornando. A sensação é esquisista, mas é uma boa sensação.

Ah, e se você estiver se perguntando e a Agenda? Bom, a Agenda fica para outro dia, assim como as algumas lembranças em formato de papel que coloquei na gaveta de baixo, para na proxima faxina ver, rir e lembrar do que era hoje.

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por Patricia

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Este post recebeu 5 comentários

  1. Guinhu disse:

    Ae Paty, quando comecei a ler seu post, de início pensei: “ODEIO GUARDAR PAPEL”. Por isso mando tudo pro lixo e quando posso pra reciclagem.

    Mas é interessa essa perspectiva do que o papel pode guardar, principalmente no meu caso que tenho uma dislexia brava.

    Também tenho meus papeis mais importantes, ou por que não, mais necessários guardados. Como: cartas, bilhetinhos, ingressos de shows, exames da cabeça e do coração, fotos e até matérias de jornais.

    Uma das minhas manias é guardar coisas da qual eu pretendo parar um dia e lê-las. Mas me pergunto o que seria mais correto fazer, no meu caso, guardá-las ou decidir entre o que eu realmente vou ler ou o que eu só guardo por desencargo de consciência.

    Bom ter lido esse post. Ótimo esse post. Me desculpe se tiver algum erro de portugês, sabe como que é, profissional de informática. =D

    Bjuus Paty!

  2. Elis disse:

    Eu conheço essa agenda! E eu fico feliz de saber que participei de algumas lembranças desses papeis e da própria agenda. Eu tambem tenho o costume de jogar tudo quanto papel fora, mas adoro achar coisinhas “sem importancia” que fazem lembrar algo legal, mesmo que eu jogue fora depois. Nunca jogue a agenda fora, pq algumas dessas lembranças vc pode compartilhar comigo.

  3. SIMPLESMENTE FANTASTICA.AGORA,EU TAMBEM GOSTARIA DE ESCREVER ,MAS ONDE? OBRIGADO

  4. espetacular,nota dez.parabens.

  5. [...] textos bem particulares sobre nós: um sobre memórias guardadas em uma gaveta, uma divagação sobre Ser e Estar feliz, um post escrito por Luiz Biondi bem inspirador sobre [...]

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